sexta-feira, 27 de novembro de 2009

SEMENTE É A PRINCIPAL MATÉRIA PRIMA DA BIOJÓIA

As biojóias são bijuterias elaboradas utilizando sementes lapidadas e polidas por meio de técnicas próprias, obtendo-se a mais alta qualidade. A matéria-prima é rigorosamente selecionada, destinando-se a cada peça o material adequado, usando criatividade e a experiência de quem conhece e respeita a natureza. O requinte das peças resulta do cuidadoso acabamento aplicado e da sensibilidade da artista, na combinação de materiais e cores, destacados pela delicadeza do ouro e prata. O resultado são jóias cheias de harmonia e bom gosto, inspiradas na exuberância da natureza amazônica, expressando o melhor da cultura regional, por sua originalidade e brilho exótico.
Cristiane Oliveira, 35 anos, é artesã e a 12 anos trabalha com biojóias. Há 6 anos se especializou com o artesão César Farias, e com o sonho de mexer com semente, descobriu técnicas e passou a utilizá-las em sementes como: tucumã, jarina, babaçu, açaí, jatobá etc. “Era um sonho da minha vida aprender a lidar com sementes”, afirma.
Capacitada para dar cursos, a artesã vive 100% do seu artesanato, reaproveitando materiais que as pessoas não utilizariam. Explica que o mercado de comércio das biojóias em Rondônia é bom, mas precisa ser estruturado. Afirma que irá abrir uma loja no Mercado Cultural, no centro de Porto Velho, em dezembro, facilitando o acesso aos turistas nacionais e estrangeiros.

Para realizar a confecção das biojóias, é necessário respeitar o tempo de uso das sementes. “Tenho sementes que demorei três anos para utilizar”, conta Cristiane Oliveira. Suas sementes são provenientes de Rio Branco e compradas em grandes quantidades.

No processo de produção da biojóia a artesã utiliza uma máquina para furar,uma para polir e outra pra lixar a semente. O que diferencia o seu trabalho dos demais artesãos é a utilização da técnica pirogravura.

O que é pirogravura?

A palavra pirografia é de origem grega e significa “escrita à fogo”. É uma técnica em que uma espécie de caneta incandescente, ligada a energia, libera fogo e ao entrar em contato o objeto, forma desenhos que variam de acordo com o desejo do artesão.
Para Cristiane, ser profissional é importante assim como saber caminhar, ou como falar com os clientes, isso os artesões aprendem dentro dos projetos que o Sebrae oferece através de capacitação.

Cristiane trabalha com o esposo e o filho e também é cantora. Também utiliza as sementes para confeccionar instrumentos de percussão.
Neusa dos Santos Tezzari, 47 anos, professora da Universidade Federal de Rondônia, e fez o curso de biojóia no CETENE de Porto Velho, em 2007. Ela afirma que o curso é importante para capacitar pessoas e ensinar novas técnicas. “O único problema é que as máquinas utilizadas são caras e nem todas as pessoas têm acesso”, diz a professora.
A estudante Caren Esteves Duarte utiliza as biojóias, como acessórios, no dia-a-dia. Conta que o aproveitamento das sementes é uma ótima maneira de desenvolvimento sustentável aplicado no estado de Rondônia, aplicando a renda dos artesãos e movimenta capital na economia do estado. “Além disso as peças são bem trabalhadas e eu as utilizo para presentear amigos e parentes que moram longe”, diz a estudante.

Cooperativa Açaí

Para conquistar o mercado e chegar nas principais joalherias do país, os artesãos começam a misturar as sementes com materiais bem mais valiosos como ouro e prata. Em Rondônia este trabalho é promovido também pela Cooperativa Açaí. João da Rosa é o ouvires que fez parceria com a Cooperativa e capacitou cerca de 30 artesãos. “Agregando esses valores, eles poderão sim ganhar mais dinheiro”, acredita João. Através de barcos que atravessam o Rio Madeira as sacas são levadas para a cidade. O beneficiamento da semente é feito pelo artesão Ronaldo Farias, ele conta que as sementes chegam sujas com pêlos e várias imperfeições.
Com uma peneira é retirado o pó da semente. Os furos por onde passa os fios do cordão são feitos através de brocas. Lixadas e polidas as sementes estão prontas para virarem jóias. Algumas sementes ainda ficam 24 horas numa estufa improvisada numa geladeira velha. Com o calor elas endurecem e os fungos são eliminados. Com ouro e prata, as biojóias chegam a custar até 20 vezes mais. Todos os dias são criados novos estilos. As mais bonitas são aprovadas e produzidas quase em série. Quase, porque com as sementes nunca uma biojóia fica igual a outra.

O Sebrae é uma instituição que apóia a cooperativa. “Acreditamos na capacidade de produção das biojóias amazônicas, e por isso ajudamos a divulgar os trabalhos através da impressão de folders”. disse Glenny Paes Salles, colaboradora do Sebrae de Rondônia.
Contatos:
COOPERATIVA AÇAÍTel: (69) 9218-3760Endereço:Rua Henrique Dias s/n – Centro- CEP: 78902-080 Porto Velho/RO

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Abiahy, Ana Carolina de Araújo. O jornalismo especializado na sociedade da informação. Disponível em: http://www.bocc.uff.br/pag/abiahy-ana-jornalismo-especializado.pdF (24/10/2009)

Jornalismo cultural. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornalismo_cultural. (24/10/2009)

Sava, Suellen. Editora da revista Cult defende jornalismo cultural contra barbárie. Disponível em: http://aplicacoes.up.edu.br/jornalismoexpresso/mostra_noticia.asp?Secao=2&Noticia=2546&Tipo=. (24/10/2009)

Barreto, Ivana. As realidades do jornalismo cultural no Brasil. Disponível em: http://www.contemporanea.uerj.br/pdf/ed_07/08IvanaBarreto.pdf. (24/10/2009)

Bravo! (revista). Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bravo!_%28revista%29. (24/10/2009)

NOVOS RUMOS

Esse ano o Jornalismo Cultural passou a ser tratado com maior destaque já que foi foco de dois congressos: I congresso de Jornalismo cultural, realizado no Teatro da Universidade Católica de São Paulo e o I Congresso Brasileiro de Jornalismo Cultural, realizado na universidade Positivo, em Curitiba. A organizadora do evento em Curitiba, Dayse Bregantini, editora-chefe da Revista Cult, ao ser perguntada quanto aos rumos do jornalismo cultural, respondeu ser super otimista, por considerar um mercado que vai crescer mais, se especializar mais, é o que vai gerar muito emprego. Diz ainda que, isso, é para logo e acha que daqui três ou quatro anos vai ser o maior mercado de emprego para jornalistas.

Um desafio do J.C, agora, é conseguir inserir esse ‘mundo’ na realidade de todas as classes sociais, afinal, música, teatro, exposições, entre outros, não fazem parte da realidade da maioria dos brasileiros. Um outro desafio, e que será desafio sempre, é não deixar que esse jornalismo seja relacionado a dinheiro, venda, consumo e sim, a divulgação da arte.

MEIOS

Quando se trata de Jornalismo Cultural, diversos meios de comunicação atuam na área. São os casos das revistas CAROS AMIGOS, CONCERTO, CULT e da revista BRAVO, essa última trata de assuntos culturais e artísticos: música, teatro, literatura, pintura, cinema, com artigos, críticas e fotos. A publicação faz análises da Bienal de São Paulo, do Festival de Cinema de Gramado e de outros eventos artísticos, e em seu caderno de ensaios críticos já escreveram Sérgio Augusto, Sérgio Augusto de Andrade, Olavo de Carvalho, Ariano Suassuna, Jorge Caldeira, Reinaldo Azevedo, entre outros articulistas.

O canal da televisão TV Cultura é outro exemplo de mídia que divulga o jornalismo cultural. Emissora pública de caráter educativo e cultural, fundada em 1969 na capital paulista, gerando programas de televisão educativos que são transmitidos para todo o Brasil via satélite e através de suas afiliadas em diversas regiões do Brasil.

É mantida pela Fundação Padre Anchieta, uma fundação sem fins lucrativos que recebe recursos públicos do governo do estado de São Paulo e de empresas privadas, através de propagandas, apoios culturais e doações de grandes corporações.

A internet é outro meio de fundamental importância para a divulgação do jornalismo cultural. Existem diversos sites sobre o assunto como o http://www.brasilcultura.com.br e o próprio site do ministério da cultura. Na área do artesanato, que será o nosso enfoque para a reportagem, existem diversas páginas na internet que falam sobre o assunto, e melhor, são sites participativos: o internauta pode acessar para aprender a fazer artesanatos, através de vídeos e fotos e/ou pode mandar sua contribuição. É o caso do site http://www.artesanatonarede.com.br e do http://www.feitoamao.net/.

PERSONAGENS

No Brasil, alguns dos maiores expoentes profissionais em jornalismo cultural são Oscar Araripe, Arnaldo Bloch, Ziraldo, Regina Zappa, Jamari França, Daniel Piza, Ana Maria Bahiana, Bianca Ramoneda, Marcelo Tas, Ricardo Feltrin, Ana Paula Sousa, Luiz Carlos Merten e Gisele Kato.

Marcelo Tas, atualmente apresentador do humorístico CQC, na BAND, possui um blog, o http://marcelotas.blog.uol.com.br, com o qual já ganhou prêmios nacionais importantes, como o IBEST e o Comunique-se.

Uma função específica do jornalismo cultural é o crítico, que escreve análises e comentários sobre determinada obra ou artista. Geralmente, o crítico se especializa em determinada arte ou estilo (passa a ser especialista dentro de uma especialidade) e procura ter sólida formação teórica (ou acadêmica) para embasar suas opiniões.

O texto da crítica é normalmente subjetivo, mas com embasamento. Pela informação técnica que o crítico coloca em suas matérias, o leitor terá mais dados para fazer a sua própria avaliação. No jornal Diário da Amazônia, temos que dar destaque ao colunista ‘Zé Katraca’ um crítico ferrenho que usa seu espaço no veículo de comunicação para mostrar em que pé está parte da cultura de Rondônia.

CARACTERÍSTICAS

As pautas do jornalismo cultural incluem toda a área cultural: literatura, música, artes plásticas, teatro, televisão e a cobertura de eventos (festivais, exposições, vernissages), as instituições que geram produtos e fatos (produtoras de cinema, estúdios, galerias, museus, bibliotecas, teatros, gravadoras), as políticas públicas para a área (secretarias e ministérios da Cultura e da Educação) e o dia-a-dia do setor.

Como na maior parte das especializações jornalísticas, as fontes do jornalismo cultural são divididas:

Protagonistas
Artistas, produtores culturais, curadores, empresários, ou seja, pessoas que são referência no assunto.


Autoridades
Secretários de cultura, funcionários públicos, diretores de fundações, museus e bibliotecas.


Especialistas
Críticos, teóricos, historiadores de Arte.


Usuários
o público.

HISTÓRIA

No Brasil, os primeiros relatos de jornalismo cultural surgiram com os cadernos dos jornais impressos. É o caso do Jornal do Brasil (Caderno B), da Folha de São Paulo (Folha Ilustrada), de O Estado de São Paulo (Caderno 2) e de O Globo (Segundo Caderno). Outros publicam um caderno semanal, como os diários econômicos Gazeta Mercantil, Valor Econômico e o Jornal do Commercio.

Em Porto Velho, jornais como o Diário da Amazônia e Estadão do Norte, possuem cadernos de cultura em que tratam de exposições, mostras, feiras e outros tipos de eventos que estejam ocorrendo na cidade

CONCEITO

Jornalismo Especializado surge no contexto da sociedade da informação: muita informação, acessível a todos e o consumidor dessa informação passa, então, a ter que escolher o que vai ler, já que ler tudo se torna inviável. Esse conceito de J.E tem sua principal importância no fato de personalizar a informação que, antes, era feita para a massa, nivelando, igualando, mediando o público alvo. Na televisão, a TV a cabo ganha mais adeptos a cada dia, os jornais impressos incluem em suas edições cadernos específicos, sem falar da internet e das revistas, o principal foco do J.E.

O jornalismo especializado abrange áreas diversas entre elas o jornalismo cultural, uma especialização do jornalismo ligado aos fatos relacionados à cultura local, nacional, ou internacional. O Jornalismo cultural abrange o cinema, teatro, música, entre outros temas, incluindo o artesanato.

A DIFÍCIL COBERTURA RADIOFÔNICA DO FUTEBOL DO PASSADO EM RONDÔNIA

Após algumas discussões, resolvemos abordar na reportagem especial, na segunda parte do trabalho, como era feita a cobertura radiofônica do futebol na imprensa da capital no passado.

Começamos o trabalho elaborando uma lista de radialistas para colher depoimentos com imagens. Valter Santos Barbosa, Bosco Gouveia, José Ribamar, Elvestre Jonhson, Júlio Aires, Lenilson Guedes, Antônio Pessoa, Carlos Neves, Carlos Souza, Orivaldo Canosa, Águido Melo, Ivan Gonzaga, Orivaldo Canosa, José Agusto, Francisco Santana, Francisco Coelho, Lucivaldo Souza, Euzébio, Carlos Neves, João Tavares, João Dalmo, Rômulo Ruiz, Beni Andrade, Enéas Martins, Pinheiro de Lima, Everton Leoni, Gilson de Oliveira, Valmir Miranda, Dalton di Franco, Augusto José, Volnei Alonso, Miguel Silva e Fernando José são alguns dos integrantes de equipes de radialistas que fizeram a história nas transmissões esportivas na Capital de Rondônia.

O principal foco a ser abordado recai sobre as dificuldades de fazer coberturas esportivas em um período no qual a tecnologia ainda era muito precária.

Essas coberturas eram feitas com muito esforço por profissionais que trabalhavam mais por prazer do que por dinheiro. As improvisações para coberturas em outros municípios ou fora do Estado eram verdadeiras aventuras.

Não delimitamos o número de entrevistados. As entrevistas foram realizadas, no entanto, apenas dentro do prazo limite para entrega do trabalho, ou seja, 20 de novembro de 2009. Como o tema é palpitante e ainda há muitos profissionais que merecem ser ouvidos e têm informações novas a passar, pensamos em ampliar a reportagem para um trabalho futuro com maior disponibilidade de tempo.

Outro objetivo do trabalho é mostrar para a atual e futura gerações como era feita a cobertura do esporte especializado nas rádios locais. Em um determinado período, a Caiari passa a ser a única emissora em atividade, por isso a rádio é citada na maioria dos episódios.


Locutores levando choques elétricos dos microfones, repórteres de campo carregando gravadores enormes e pesados durante as transmissões ao vivo. Essas são algumas situações ocorridas em Porto Velho no passado nas coberturas de futebol. Em meio a tanto sufoco, prevaleceram o amor à profissão e à vontade de fazer um trabalho bem feito com tantas adversidades. Para o radialista Evestre Johnson, de 70 anos, que foi escolhido por Pelé para fazer a primeira pergunta de uma coletiva antes de a seleção brasileira seguir para o México e conquistar o tricampeonato mundial em 1970, “tudo valeu a pena.”

Há 31 anos, precisamente em 1º de oububro de 1978, Bosco Gouveia chegava de Pernambuco e começava sua carreira como locutor esportivo em Rondônia. As dificuldades para as coberturas esportivas, de acordo com Bosco, eram tantas que não dava tempo de reclamar. “Locutores, repórteres de pista, comentarista... toda equipe se juntava aos técnicos em busca de soluções que o momento exigia.”

Entre os muitos problemas enfrentados por Bosco estão casos pitorescos. Durante a transmissão de um jogo (ele não se recorda qual) levou um choque na boca, ao encostar os lábios em um microfone de metal e deu um grito instintivo e desesperado. Foi obrigado a explicar o ocorrido no ar, segundo ele, pensando até mais em tranquilizar sua família que escutava a partida em casa do que fazer uma justificativa ao público.

Bosco diz que esses choques eram normais. Os microfones eram de metal e se transformavam em perigo maior quando molhados. A regra, segundo narrador, era mantê-los afastados da boca. “Levava constantes choques, mas suportava calado. No “dia do grito” a dor foi intensa, não deu para segurar a barra”, diz Bosco, hoje achando graça de tudo isso.

Bosco recorda que as antigas coberturas esportivas eram feitas pelo sistema de “chaveamento”. O locutor para conversar com o plantonista e o técnico no estúdio teria que mudar de posição a chave de um aparelho esquisito e muito pesado. Para ter o controle do áudio novamente teria que retornar a chave à posição original. Era uma inovação, mas nem sempre dava certo.

O radialista diz que, em várias ocasições, narrou trechos de partidas de futebol sem eles irem para o ar. “Eu simplesmente esquecia de voltar a chave e o comando de voz ficava nos estúdios. Quando percebia a falha, já haviam passados alguns minutos. Eu dava sempre uma desculpa. A predileta era colocar a culpa na Embratel. Aproveitava para enaltecer o trabalho da equipe da rádio, detalhando as dificuldades de uma cobertura esportiva.”

Esse problema, de acordo com Gouveia, era mais sentido nas coberturas fora do Estado. Na Capital ele ligava um rádio de pilha e sabia quando sua voz estava no ar ou fora, se fosse o caso Em outras cidades, como não existia ainda celular e era inpossível captar as ondas pelo radinho, o pessoal do estúdio não conseguia manter contato. “O plantonista ficava enrolando até reestabelecer o contato quando eu ou alguém percebia o posicionando errado da chave.”
Outra dificuldade destacada por Bosco era o retorno de voz, que poderia durar até 20 segundos. Para não dar um intervalo muito grande, eu antecipava quando percebia que a mensagem vinda do estúdio estava sendo finalizada. “Às vezes acabava atropelando o locutor do estúdio e nós dois falávamos ao mesmo tempo.”

Ferando José, o Pinguilite, famoso nos meios esportivos por contar “causos” das transmissões esportivas, teve um papel importante nas décadas de 1970 e 1980. Ele produzia efeitos especiais com a própria voz, criando “ecos” e outros sonoridades clássicas no futebol até hoje. Essas tarefas atualmente são facilmente realizadas no computador, mas na época era uma façanha, uma união de boa voz, talento e muita criatividade. “O incrível é que Pinguilite fazia isso ao vivo durante as transmissões”, diz Bosco

Cabos e fios encobriam os gramados

Valter Santos Barbosa, de 69 anos, começou a carreira de radialista carregando fios, nas transmissões da Rádio Difusora do Guaporé, em 1965. De acordo com Valter, muitos grandes profissionais no Brasil começaram assim. Carregar fios, segundo ele, dava muitos empregos e era uma forma, para quem tinha talento, de iniciar na profissão, Valter que é considerado o maior zagueiro do futebol rondoniense de todos os tempos, aliou as profissões de jogador de futebol e radialista. Sobre o emaranhado de fios nos grandes jogos, Valter, que atuou também como zagueiro no Nacional de Manaus, tem uma visão saudosista. Ele acha que os repórteres de pista realizavam um verdadeiro balé. “Vendo do alto, a correria dos repórteres e dos carregadores de fios era um espetáculo à parte.”

Padre traz equipamentos da Itália

O radialista Lucivaldo Souza, com 38 de experiência na área, entende que os problemas técnicos até a década de 1980, em sua maioria, eram agravados por falta de pessoal especializado em assistência nesta área. De acordo com ele, os serviços eram feitos por amadores que ele chama de “curiosos.”

Para Lucivaldo, Francisco Alves Monteiro, o Abemur, era o grande nome da técnica na época, mas aprendeu tudo durante as transmissões, “fazendo testes atrás de testes para descobrir aonde estava o problema.” O radilista, que já atuou como comentarista e locutor esportivo da Caiari, diz que os equipamentos da emissoria eram considerados de boa qualidade para a época, há mais de 45 anos. Foram importados da Itália pelo padre Vitor Hugo, ex-diretor da rádio.

Francisco Coelho, que autou como repórter de pista na rádio Caiari, no final da déca da 1980, uma época já com mais recursos técnicos para transmissão de futebol, diz que enfrentou dois problemas singulares quando cobria futebol: insegurança e falta de dinheiro. Coelho conta que um torcedor, durante uma cobertura, invadiu a área restrira à imprensa e demais envolvidos na cobertura para tirar satisfações com ele. Pior: de ordem pessoal. O repórter diz ainda que era funcionário da emissora e não ganhava extra para cobrir futebol nem nos feriados e nos finais de semana.

Problemas direto do Paraguai

A falta de estrutura para realização de grandes coberturas esportivas, levou o ex- governador Coronel Guedes a desacreditar que uma equipe de rádio local pudesse fazer a cobertura de Brasil e Paraguai, válido pelas Eliminatórias da Copa de 1978, em Assunção, capital paraguaia.

Quem não tinha dúvidas sobre a viabilidade da cobertura era o então chefe da equipe de esportes da rádio Caiari, Ivan Gonzaga. “O homem” (o governador) “estava irredutível em patrocionar nossa equipe. Ele não acreditava que a transmissão seria possível. Afinal, bancar um projeto não executado seria um prato cheio para os adversários políticos,” relembra Ivan, que, depois de muito inisistir, conseguiu que Guedes, um apaixonado por futebol, bancasse as passagens aéreas.

No dia do jogo, recorda Ivan, a Rede Globo que começava as transmissões em cima da hora já mandava imagens ao vivo do Paraguai. “Comecei a ficar preocupado porque não tinha, até àquele momento, contato algum com os repórteres. Telefonei para o diretor da Embratel e cobrei soluções.”

“ Neste interim” - continua Ivan - “o governador me ligou apavorado, pois a rádio não estava transmitindo o jogo. Naquele exato instante, com o “coronel” ainda na linha, a equipe da técnica conseguiu contato com Assunção e a transmissão foi iniciada. Então, relaxado, eu respondi ao governador que deveria ter algum problema com rádio dele porque a transmissão já havia começado e com boa qualidade de som.”

Encontro com o Rei Pelé

O radialista Elvestre Johnson, 70 anos, trabalhou em transmissões esportivas até 1968 na chamada Baixa da União em Porto Velho, onde hoje é área do 5º BEC. Na região ocorriam torneios envolvendo times dos bairros Triângulo, Areal e Caiari, de onde eram revelados craques para os principais times da época.

A cobertura das partidas da então rádio Difusora do Guaporé, segundo Johnson, era feita por fio telefônico, que era puxado a partir da rádio - um galpão na avenida Farquar, onde funcionava a residência dos ingleses e havia também um clube de danças.

O polivalente Elvestre, que era comentarista e fazia também as reportagens, andava com um gravador de 20 centímetros e muito pesado, segundo afirma. Ele gravava as reportagens com os jogadores e levava em seguida o aparelho para próximo do único microfone acoplado ao fio telefônico, de onde partiam todas as vozes da transmissão. Qualquer problema na Radional, hoje Embratel, a transmissão era suspensa. Johnson lembra que, mesmo debaixo de chuva, a transmissão era mantida. Um guarda-chuva era usado mais para proteger o microfone do que o locutor.

Em maio de 1970, Jonhson conta que viveu a maior emoção de sua vida, quando a Seleção Brasileira, que se tornou tricampeã, fez a última preparação no Brasil - em Manaus - antes de seguir para o México. Titulares e reservas do Brasil formaram dois times e enfrentaram dois combinados amazonenses. As equipes A e B do Brasil golearam por 4 a zero e 5 a zero, respectivamente.

Logo após a partida, todos os repórteres de campo correram em direção a Pelé. O tumulto foi grande. Pelé pediu calma e apontou a para Johson, dizendo: “Você faz a primeira pergunta.” Jonhson quis saber do rei do futebol o que ele sentia em estar atuando na Região Norte. Pelé, ligeiro como sempre, respondeu: “O nome disso é integração.” Pergunta e resposta percorreram o mundo.